Novo Curso

SEM DOUTRINA - INTRODUÇÃO À DEMOCRACIA
 

O desconhecimento da democracia é tão generalizado e a programação autocrática é tão forte que as pessoas fazem sempre as mesmas perguntas (o que é uma evidência inconteste de que existe mesmo uma programação autocrática).

Este programa - baseado em perguntas recorrentes sobre a democracia - parte da seguinte seguinte ideia geral. Você pode acreditar no que quiser e ninguém tem nada com isso. Mas estabelecer como pré-condição para a atuação política correta a adesão a qualquer credo dificulta ou impede a compreensão - e muitas vezes a prática - da democracia. Por isso nenhum códex, nenhuma doutrina - seja realista, marxista, conservadora, liberal-econômica, ou mesmo anarquista ou libertária - são necessários. Porque a democracia não é um modo-de-ver ou de conhecer (observar, investigar, explicar - como a ciência) e sim um modo-de-interagir. Não é baseada em cognitivismo e sim em interativismo. Por isso este curso sobre democracia se chama Sem Doutrina. Porque a democracia não precisa mesmo de doutrina.

Ninguém é obrigado a ser democrata (e sim a não transgredir as leis, o que é outra coisa). A democracia não é necessária, é uma questão de desejo (o desejo – como dizia Esquilo (472 a. E. C.), em Os Persas, referindo-se aos atenienses do século 5 – de não ser escravo nem súdito de ninguém). Quem tem vocação para rebanho, pode continuar seguindo lideranças, quem gosta de ser fiel pode abraçar doutrinas que invocam qualquer razão extra-política – seja deus, a natureza ou a história – para validar suas posições políticas.

O programa Sem Doutrina foi desenvolvido por Augusto de Franco e por pesquisadores associados à Escola de Redes.

 

Mas atenção! Embora Sem Doutrina seja um programa de introdução à democracia, sua profundidade e abrangência - para quem percorrer todas as pistas sugeridas no curso, lendo os textos complementares e as indicações bibliográficas - equivale a bem mais do que um doutorado no tema.

As perguntas abaixo são feitas pelos adeptos do realismo político (realpolitik, que é, em geral, autocrática e que não deixa de ser uma vertente do pensamento conservador ou liberal-conservador), por marxistas em todas as suas variantes, por outros estatistas (inclusive os fascistas), por conservadores de vários matizes, por liberais-conservadores (incluindo os meritocratistas), por liberais-econômicos ou por reprodutores do senso-comum moralista (analfabetos democráticos, como, em algum grau, são todos os demais).

Eis as trinta perguntas que foram escolhidas como programa deste curso de Introdução à democracia. Se você avalia que pode responder com facilidade a todas as questões abaixo (ou que já tem uma resposta satisfatória para a maioria delas), não é necessário entrar no programa.

Veja o conteúdo do programa

AS 30 PERGUNTAS

 
1
Quais os exemplos de países plenamente democráticos? Existem de fato tais países?
2
Se a democracia é um bom regime político, por que temos tão poucas experiências realmente democráticas? E por que, segundo alguns reconhecidos índices internacionais (como o Democracy Index, da The Economist Intelligence Unit) apenas 19 países (2016) – em quase 200 – podem ser considerados plenamente democráticos? E, ainda, por que a maioria da população do planeta nunca viveu sob regimes democráticos?
3
Quais são os critérios para saber se um regime é democrático? Se esses critérios não são inequívocos, cada qual adotando os indicadores que mais se ajustam à sua visão de mundo, a democracia não se reduz apenas a um discurso legitimatório do tipo de regime que se quer manter ou alcançar?
4
Um grupo humano - por exemplo, de 5 mil pessoas, escolhidas aleatoriamente no conjunto dos países do mundo atual - que fosse transportado para uma ilha deserta (mas com recursos suficientes à sua sobrevivência), adotaria um regime democrático para regular seus conflitos? Quais são as chances de isso acontecer?
5
O ideal democrático não é semelhante ao que pregavam os anarquistas, ou seja, um sonho que jamais se concretizou em lugar algum?
6
A democracia ideal é uma utopia (irrealizável) já que a política é o que é – sempre uma luta pelo poder – e, portanto, não seria uma ingenuidade imaginar que é possível torná-la mais cooperativa ou menos adversarial? Não é o fato de a democracia ser competitiva que garante que uns não se sobreporão aos demais, formando oligopólios políticos?
7
Se a democracia fosse natural ou compatível com a natureza humana, por que ela não foi inventada e adotada pelos diversos grupos de Homo Sapiens ao longo da pré-história, como os grupos ou as tribos de coletores e caçadores e as sociedades paleolíticas e neolíticas, durante os últimos (pelo menos) 150 mil anos? E por que, mesmo no período considerado civilizado – nos últimos 6 a 5 mil anos – ela não existiu senão durante brevíssimos períodos (cerca de 200 anos entre os antigos e menos de 300 anos entre os modernos)?
8
Como mobilizar e organizar a ação coletiva sem líderes destacados e sem um mínimo de hierarquia? Isso não parece uma coisa teórica demais, sem base na realidade?
9
Os seres humanos, abandonados à sua própria sorte, sem uma direção política capaz de conduzi-los, não acabarão entrando em luta uns contra os outros, instaurando um verdadeiro caos social
10
A democracia é necessária ao desenvolvimento? Se países como China e Singapura fossem democráticos, seriam, por isso, mais desenvolvidos?
 
11
Como pode haver verdadeira liberdade (e democracia) sem igualdade (cidadania plena)?
12
A democracia dos antigos, experimentada nos séculos 5 e 4 a. E. C. na Grécia, não foi um regime instituído para legitimar o modo de dominação dos homens livres (e proprietários) de Atenas sobre os escravos, os estrangeiros e as mulheres? Então, como se pode chamar isso de democracia?
13
De que adianta ter democracia se o povo passa fome (ou como pode haver democracia política enquanto não for reduzida a desigualdade social)?
14
Não se deveria primeiro democratizar a sociedade para depois democratizar a política? O acesso diferencial aos recursos não impõe diferenças de condição de interação política?
15
Se a democracia é o regime da maioria, por que os representantes da maioria não têm o direito de fazer o que almejam para melhorar as condições de vida das populações que governam? Por que condenar o bolivarianismo se os seus líderes foram escolhidos pela maioria da população?
16
Um líder identificado com o povo não pode fazer mais (pelo povo) do que instituições cheias de políticos controlados e financiados pelas elites?
17
Quando se afirma que existe uma opinião pública, ela não é sempre o resultado artificial da ação de meios de comunicação que estão nas mãos de grupos minoritários das elites econômicas? Então, como dizer que a opinião pública é um fator necessário à democracia nessas circunstâncias?
18
Como pode haver democracia se, no capitalismo, as grandes corporações estão acima das leis (ou ditam as leis) e controlam a vida das pessoas?
19
Como os USA podem ser uma democracia se vivem se metendo nos outros países para controlá-los, fazem guerras em todo lugar para satisfazer seus interesses econômicos e espionam todo mundo?
20
De que adianta defender as velhas instituições do Estado de direito, quando sabemos que (numa sociedade de classes) elas foram planejadas justamente para inviabilizar uma verdadeira democratização da sociedade e assegurar a reprodução da dominação das elites?
 
21
A missão do Estado (quando nas mãos certas) não é educar a sociedade para que os cidadãos possam conviver no espaço público, evitando com isso a prevalência da dominação de grupos privados sobre a maioria do povo? Então de que vale a democracia se os cidadãos não forem educados politicamente (por um Estado colocado a serviço das maiorias) para se conduzir no espaço público?
22
Como a democracia pode ser tomada como um valor universal (como querem os democratas) diante de várias culturas que não a valorizam? Não se trataria, mais propriamente, de um valor ocidental? Como esperar que outras culturas (como o islamismo, por exemplo, mas vale também para culturas orientais, como a confucionista-chinesa e para culturas de povos primitivos) possam adotá-la contra todas as suas tradições e costumes?
23
Se não há uma ordem moral perene, ou seja, se as pessoas não têm um sentido forte de certo e errado, com convicções sobre a justiça e a honra, ficando moralmente à deriva e movidas pela satisfação de seus apetites, pode haver uma boa sociedade? E se existe essa ordem moral, quais os indícios de que ela aponta para a democracia como um regime mais adequado à sua prevalência?
24
Todas as tentativas de construir sociedades mais igualitárias (como almeja a democracia) não acabaram ensejando a ereção de regimes totalitários?
25
Como se pode provar que a resultante do entrechoque de múltiplas opiniões que refratam interesses distintos e, em muitos casos, contraditórios, existentes em uma sociedade onde se exercita um processo democrático de decisão, seja melhor, para o presente e para o futuro daquela sociedade, do que a decisão tomada por apenas algumas pessoas portadoras de conhecimentos acumulados sobre a matéria que está sendo objeto da decisão?
26
Como a democracia pode funcionar direito quando faltam aos cidadãos os conhecimentos necessários para interpretar a realidade social e escolher conscientemente os melhores caminhos?
27
Se a democracia fosse natural ou adequada à natureza humana, por que as grandes tradições espirituais da humanidade (incluindo todas as religiões) não se organizam de modo democrático? E por que não há democracia no céu (em quaisquer dos "céus" - ou equivalentes - anunciados por essas tradições)?
28
Afinal, qual a doutrina da democracia, em que princípios ou leis (filosóficos ou científicos, naturais ou históricos) ela se baseia? E se não existe esta doutrina, filosofia ou ciência, com base em quê se pode justificar que a democracia é um regime político melhor do que os outros?
29
Como se pode justificar que a democracia é um modo de regulação baseado na construção de commons (ambientes comuns) se o ser humano é inerentemente competitivo e faz escolhas racionais tentando sempre maximizar a satisfação de seus interesses egotistas?
30
Como a democracia pode funcionar se os seus agentes são corruptos (ou tão vulneráveis à corrupção), trabalhando, em grande parte, apenas para garantir interesses e auferir vantagens pessoais ou corporativos em vez de se dedicarem ao bem comum?
email

Como vai funcionar

Cada pergunta constitui um módulo semanal. A duração do programa é, portanto, de 30 semanas. O programa será feito por e-mail (a forma preferida pela maioria das pessoas). Você receberá semanalmente esses textos no corpo do seu e-mail. Complementações, textos de referência e indicações de leitura poderão ser baixadas em PDF diretamente do site Democracy Unschool.

Para quem quiser interagir com outras pessoas que estão fazendo o programa (embora isso não seja obrigatório), haverá um fórum (para cada pergunta ou módulo) no site Democracy Unschool. Perguntas aos promotores do programa também podem ser feitas nesse ambiente interativo.

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Quando vai começar

O primeiro módulo começa no dia 30 de agosto de 2017 para quem fizer a inscrição até a véspera.

Mas as inscrições permanecerão abertas. Qualquer pessoa pode entrar a qualquer momento e receberá os módulos semanalmente a partir da data da sua inscrição.


certificado

Certificado

Quem concluir os 30 módulos receberá um certificado (de presença, não de avaliação do que aprendeu e, muito menos, do que supostamente foi ensinado).

Para tanto, porém, será necessário responder a um questionário final (publicado no último módulo).

invest

Investimento

O preço do programa é R$ 297,00, que devem ser pagos na data da inscrição. Este é o preço total (pelos 30 módulos) e não mensal. O programa não tem fins lucrativos, sendo cobrada esta taxa para custear parcialmente os gastos com a sua execução (os promotores não são remunerados).

Comece agora!

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